ENTREVISTA COM O POETA E PRODUTOR CULTURAL TABUH

 




Entre poesia, produção cultural e resistência periférica, Luís Paulo, mais conhecido como TabuH, constrói uma trajetória marcada pelo afeto, pela coletividade e pela arte como transformação social. Nesta entrevista, o artista fala sobre sua caminhada, seus projetos e sua visão de mundo, compartilhando reflexões sobre literatura, ancestralidade e criação artística nas periferias do Rio de Janeiro.




Quem é Luís Paulo e quem é Tabuh? Existe uma separação entre a pessoa e o artista ou os dois acabam se misturando na caminhada? 

TabuH sou eu. Luís Paulo talvez o cara que habitava em mim antes de descobrir a arte. Hoje vivo a arte e sou artista em cada passo da caminhada.

 

Você atua em diversas frentes: artista, artesão, escritor, produtor cultural, produtor musical e editorial. Como você consegue equilibrar tantos trabalhos e linguagens diferentes? 

“É o amor quem constrói e edifica os sonhos” 

(trecho de Ilumina - Nena Natal). 

Escrevo por que existo e preciso fazer valer o caminho, ando por onde manda o coração e transformo em palavras. Trabalho com arte porque assim expresso o que venho aprendendo, acolho aos que vem chegando. Sou artista porque não tive outra opção, o coração gritava por uma transformação e na arte encontrei caminho. E é com amor que concilio tantas produções.


Pode contar um pouco sobre o início da sua trajetória artística? Como surgiu o interesse pela arte e de que forma você entrou para a produção cultural? 

Em 2014, com o nascimento do meu filho, senti a necessidade de mudar o rumo das coisas. Foi um sentir quase fisiológico, uma necessidade de melhorar o mundo onde meu filho e tantas outras crianças iriam crescer, então dei uma reviravolta completa na minha vida e iniciei uma trajetória de processos profundos, os quais descrevo em minhas poesias. Dessa necessidade surgiu o desejo e o ímpeto de produzir arte. Não apenas as minhas, mas de todos os artistas que cruzassem o meu caminho. Meu profundo desejo era de fazer ser ouvidos aqueles silenciados pelas condições sociais. Com isso iniciei a Produtora Independente Qual Seu Dom? que promoveu uma série de Saraus itinerantes em parceria com espaços culturais das periferias. Comecei no Museu do Grafiti (Pavuna) com o “Sarau Grito!”em 2017, que teve sua segunda edição no Cesac (Thomaz Coelho) em 2018. O “Sarau Mente ativa”, outro sarau com modelo mais curto teve edições na Arena Jovelina Pérola Negra (Pavuna) e no Centro Cultural Phabrika (Fazenda Botafogo). Na Arena Jovelina também produzi a Feira Beneficente Qual seu Dom? e o festival “Pensadores da Pavuna”. Hoje tenho o Centro Cultural infinito como sede de minhas produções.

Hoje você é o técnico responsável do Centro Cultural Infinito, no Teatro Dirceu de Mattos. Como tem sido essa experiência e o que esse espaço representa pra você? 

O Centro Cultural Infinito ocupa um lugar muito especial na minha vida e carreira artística. É a sede dos meus encontros com a arte e artistas, onde atualmente realizo eventos e onde faria o lançamento do meu livro Inlak’esh. Nesse espaço tive contato com novos equipamentos e desenvolvi habilidades de iluminação e audiovisual. Estou vivendo uma fase de ascensão. 


Queria que você falasse um pouco sobre o selo editorial Detalhe Ancestral e também sobre a parceria com a Kapivara Kartonera. Como essas conexões aconteceram? 

Selos editoriais independentes são a fortaleza do escritor anônimo periférico. A Kapivara Kartonera marcou a minha vida com o lançamento do meu primeiro livreto em 2017, e essa parceria se inicia junto com a minha trajetória no mundo da literatura. A Detalhe Ancestral é minha forma de retribuir. Produzindo gratuitamente a outros artistas interessados em adentrar a esse universo.


Você já lançou outros livros ao longo da sua trajetória. Pode falar um pouco sobre essas obras e também sobre o novo lançamento, “Inlak’esh”? O que o público pode esperar desse trabalho? 

Minhas obras não são a obra completa, mas tijolos de uma mesma construção. Em cada livro um pedaço do caminho que acabei de descobrir. Em inlak’esh me dispo de orgulhos ingênuos e percebo o quanto somos parecidos quando renascemos das cinzas, quando regressamos das batalhas.


O que esperar da primeira edição do evento Encontro Transcendental? E qual é a expectativa para o lançamento do livro “Inlak’esh”? 

Esse evento foi criado com o propósito de nos unir. Com a proposta de contemplar todas as tribos com shows musicais e edições variáveis da primeira parte. O Projeto inicia unindo música e literatura, e claro que estarei lá com meu mais novo lançamento. O livro será apresentado com um recital onde diferentes poetas apresentam poesias do livro inlak’esh enquanto músicos compõe o fundo sonoro. Estou animado. 

 

Com tantos projetos acontecendo ao mesmo tempo, ainda sobra espaço para a escrita, o artesanato e outros processos mais pessoais? Tem algum projeto futuro que você possa dar um spoiler? 

Olha, estou sempre escrevendo alguma coisa, pois é para mim como respirar. Sempre produzindo alguma coisa porque é para mim como retribuir. Tenho boas expectativas quanto ao Encontro Transcendental. Acredito que vá ser tipo daqueles eventos inesquecíveis.


Para finalizar, deixa uma mensagem para os leitores do blog e para quem acompanha seu trabalho. 

Cultive as sementes que mais te agradam, independente de valor. Pois toda planta um dia há de dar flor.


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